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domingo, 4 de outubro de 2009

Viagem de Trem







A nossa vida é como uma viagem de trem, cheia de embarques e

desembarques, de pequenos acidentes pelo caminho, de surpresas

agradáveis com alguns embarques e de tristezas com os desembarques.

Quando nascemos, ao embarcarmos nesse trem, encontramos duas pessoas

que, acreditamos que farão conosco a viagem até o fim: nossos pais. Não

é verdade. Infelizmente, em alguma estação, eles desembarcam,

deixando-nos órfãos de seus carinho, proteção, amor e afeto.

Mas isso não impede que, durante a viagem, embarquem pessoas

interessantes que virão ser especiais para nós: nossos irmãos, amigos e

amores.
Muitas pessoas tomam esse trem a passeio. Outras fazem a viagem

experimentando somente tristezas. E no trem há, também, outras que

passam de vagão em vagão, prontas para ajudar quem precisa.

Muitos descem e deixam saudades eternas. Outros tantos viajam no trem de

tal forma que, quando desocupam seus assentos, ninguém sequer percebe.

Curioso é considerar que alguns passageiros que nos são tão caros

acomodam-se em vagões diferentes do nosso. Isso nos obriga a fazer essa

viagem separados deles. Mas isso não nos impede de, com grande

dificuldade, atravessarmos nosso vagão e chegarmos até eles. O difícil

é aceitarmos que não podemos sentar ao seu lado, pois outra pessoa

estará ocupando esse lugar.

Essa viagem é assim: cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas,

embarques e desembarques. Sabemos que esse trem jamais volta.
Façamos essa viagem da melhor maneira possível, tentando manter um bom

relacionamento com todos, procurando em cada um o que tem de melhor,

lembrando sempre que, em algum momento do trajeto poderão fraquejar, e,

provavelmente, precisaremos entender isso. Nós mesmos fraquejamos

algumas vezes. E, certamente, alguém nos entenderá.

O grande mistério é que não sabemos em qual parada desceremos.

E fico pensando: quando eu descer desse trem sentirei saudades? Sim.

Deixar meus filhos viajando sozinhos será muito triste. Separar-me dos

amigos que nele fiz, do amor da minha vida, será para mim dolorido.

Mas me agarro na esperança de que, em algum momento, estarei na estação

principal, e terei a emoção de vê-los chegar com sua bagagem, que não

tinham quando embarcaram.

E o que me deixará feliz é saber que, de alguma forma, eu colaborei para

que essa bagagem tenha crescido e se tornado valiosa.

Agora, nesse momento, o trem diminui sua velocidade para que embarquem e

desembarquem pessoas. Minha expectativa aumenta, à medida que o trem vai

diminuindo sua velocidade…

Quem entrará? Quem sairá? Eu gostaria que você pensasse no desembarque

do trem, não só como a representação da morte, mas, também, como o

término de uma história, de algo que duas ou mais pessoas construíram e

que, por um motivo ínfimo, deixaram desmoronar.

Fico feliz em perceber que certas pessoas como nós, têm a capacidade de

reconstruir para recomeçar. Isso é sinal de garra e de luta, é saber

viver, é tirar o melhor de “todos os passageiros”.

Agradeço muito por você fazer parte da minha viagem, e por mais que

nossos assentos não estejam lado a lado, com certeza, o vagão é o mesmo.
 
** Autor desconhecido **